Nos dias de hoje estamos
habituados a todas as comodidades. Temos água sempre que queremos (mesmo que
para isso ela tenha que vir de comboio), temos luz, aquecimento e até carrinha
da Câmara que vem buscar e levar os meninos à escola.
Não há muitos anos atrás as
crianças da nossa aldeia (que agora têm uns 60 anos) tinham aulas nos Casais de
S. Quintino que está a aproximadamente 1,5 km . Na altura, a Zibreira da Fé não estava
ligada com estrada aos Casais e portanto os meninos tinham que fazer esse
percurso pelo meio dos campos e mais ou menos a meio do caminho tinham de
cruzar o rio. Numa das partes do percurso havia pegado aos típicos muros de pedra
seca, um caminho também feito de pedra. Desse caminho já restam poucos
vestígios. A falta de manutenção por um lado e a mão humana por outro acabaram
por fazer com que esse caminho desaparecesse quase na totalidade. E digo quase
porque o seu inicio e numa distância de talvez uns 50 m , ainda se mantém intato.
Como é um caminho que é de todos e não é de ninguém, estava totalmente coberto
por anos e anos de silvas e mato e ninguém o limpava.
Ainda fomos à Junta de
Freguesia explicar que um muro e caminho feitos de pedra há tantos e tantos
anos, faz parte do património cultural, natural e paisagístico da região e que
mereciam estar limpos e cuidados. O tempo passou, as silvas continuaram a
crescer e ninguém se preocupou com a sua limpeza.
Moral da história, que do
outro lado do muro e caminho há um campo com umas nogueiras fantásticas que
estavam a ser comidas pelas silvas. Falamos com a proprietária para lhe propor
a limpeza não só das nogueiras mas também do muro e do caminho e deste modo
todos ficávamos a ganhar: a proprietária do campo ficava com as árvores limpas
e podia recolher melhor as nozes e nós que devido à limpeza, também podíamos
recolher algumas nozes.
Aproveitando uma vez mais a
ajuda de um voluntário wwoofer, desta vez do Canadá, pudemos limpar o muro.
Desta forma conseguimos recuperar uma parte da memória e do património. Três
meses depois da grande limpeza, ainda gosto de contemplar o muro e penso
naqueles meninos e meninas a fazer todo este caminho para poderem estudar. Como
mudaram as coisas, felizmente!
El camino hasta la escuela
Hoy
en día estamos acostumbrados a todas las comodidades. Tenemos agua siempre que
queremos (aunque la tengan que traer en tren), tenemos luz, calefacción y hasta
furgoneta del ayuntamiento que viene a buscar los niños para llevarlos a la
escuela.
No
hace mucho años, los niños de nuestro pueblo (que ahora tendrán unos 60 años)
iban a la escuela en los Casais de Santo
Quintino que está a 1,5
km aproximadamente. Por ese entonces Zibreira da Fé no
estaba conectada con carretera a los Casais,
así que los niños tenían que hacer ese camino por en medio de los campos e
incluso tenían que cruzar el río. En una parte del trayecto había un camino en
piedra al lado de un muro construido en piedra seca. De ese camino ya quedan
pocos vestigios sin embargo hay una parte que aun se mantiene de pie. Como es
un camino de todos y de nadie, estaba totalmente cubierto por zarzas y nadie lo
limpiaba.
Aun
habíamos ido al ayuntamiento a ver si lo podían limpiar pues algo así pertenece
al patrimonio cultural y paisajístico de la zona, sin embargo el tiempo pasó y nadie
vino a limpiarlo.
Al
otro lado del muro y camino hay unos nogales preciosos que los estaban comiendo
las zarzas. Hablamos con la propietaria y hicimos un trato: nosotros limpiábamos
el muro y el camino y así tanto ella como nosotros podíamos recoger las nueces.
Aprovechamos
una vez más la ayuda de un voluntario wwoofer,
de Canadá y limpiamos el muro. Así logramos recuperar una parte de la memoria y
del patrimonio. Tres meses después de la gran limpieza, aun me gusta contemplar
el muro y pienso en aquellos niños y niñas haciendo todo este camino para poder
estudiar. Afortunadamente mucho ha cambiado en todos estos años!





















