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Sobre o mistério das fruta e verduras que aparecem fora de época



Sou frequentadora de mercados como vendedora mas também como compradora. Aprendi nos últimos anos que o consumo e o consumidor funcionam por impulsos. O ano civil começa com a chegada dos morangos cada vez mais cedo e cada vez maiores e é ver o pessoal a lançar-se a esta pérolas da fruta como se fosse uma espécie em vias de extinção. Depois costumam vir as cerejas e a história repete-se. E é aqui que chegamos ao sucesso das ultimas semanas: os alperces, todos redondinhos, do mesmo tamanho e com uma estranha cor alaranjada homogénea. Já provei um, não são amargos mas também não são doces. Não são maus mas também não são bons. Estranhos, isso é... estranhos.





Depois de três anos a trabalhar na quinta, algo aprendi. Para além disso considero-me uma pessoa curiosa e com a idade fui ficando mais critica e é por isso que me pergunto de onde vem esta fruta? E faço esta pergunta observando os meus alperces e dei-me também ao trabalho de fazer uma excursão aos alperces doutros vizinhos. Exatamente iguais aos meus ou seja, verdes. E aí concluo que os alperces que vemos desde há umas semanas, não são da zona. E então vou ouvindo uma frase que tenho ouvido muito nos últimos meses “são do Algarve!”. Também os tomates que apareceram nos mercados em Janeiro eram do Algarve, as laranjas que ainda se vendem são do Algarve e eu penso que afinal o Algarve não tem tanta praia nem campos de golfe como mostram na televisão. Afinal o Algarve é a grande horta de Portugal ou o refugio para não se dizer aquilo que o consumidor não quer ouvir que é: “os tomates são de Almería, o feijão verde é de Marrocos e as laranjas são de Valencia”.

Seja como seja a questão aqui é que se o consumidor vai a um mercado que é de produtos e produtores locais então o produto deve ser local e posso-vos garantir que aqui na zona há duas semanas ainda não havia nenhum alperce maduro.





Sobre el misterio de las frutas y verduras que aparecen fuera de la temporada

Suelo ir a los mercados no sólo como vendedora pero también como compradora. He aprendido en los últimos años que el consumo y el consumidor funcionan por impulsos. El año empieza con la llegada de las fresas cada vez más temprano y cada vez más grandes y es ver a la gente lanzándose sobre estas perlas de la fruta como si fuera una especie en vías de extinción. Después suelen venir las cerezas y la historia se repite. Y es así como llegamos al éxito de las ultimas semanas: los albaricoques, todos redonditos, del mismo tamaño y con un extraño color naranja, homogéneo. Ya los he probado, no son amargos pero tampoco dulces. No son malos pero tampoco buenos. Raros... eso es, raros.

Después de tres años trabajando en la finca, algo he aprendido. Además me considero una persona curiosa y con la edad me he vuelto más critica y por eso me pregunto, de donde viene esa fruta? Y hago esta pregunta mirando mis albaricoques y también me he dado al trabajo de hacer una excursión hasta los albaricoques de los vecinos. Exactamente iguales a los míos, verdes. Y de ahí concluyo que los albaricoques que vemos no son de la zona. Y entonces voy escuchando una frase que llevo ya algún tiempo escuchando “son de Algarve”. También los tomates que han aparecido en Enero eran de Algarve, las naranjas que aun se venden son de Algarve y yo creo que al final el Algarve no tiene tantas playas ni campos de golfe como enseñan en la tele. Al final el Algarve es el gran huerto de Portugal o el refugio para decir lo que el consumidor portugués no quiero escuchar: que los tomates son de Almería, la judía verde de Marruecos y las naranjas de Valencia.

Sea como sea la cuestión aquí es que si un consumidor va a un mercado de productores locales entonces el producto debe de ser local y os puedo garantizar que aquí en la zona hace dos semanas aun no había ni un albaricoque maduro.

As colheitas • Las cosechas

Entramos naquela época do ano em que há muito de tudo. Praticamente agora cada dia é dia de colheita.

Ontem apanhamos feijão verde. Está a ser um bom ano, ao menos comparado com o ano passado.


Entramos en aquella época del año en que hay mucho de todo. Prácticamente cada día es día de cosecha.

Ayer cogimos judía verde. Es un buen año, al menos si lo comparamos con el año pasado.




Apanhamos aquelas que provavelmente são as ultimas ervilhas desta temporada. Sobrevivemos ao ataque do texugo que mesmo assim ainda comeu algumas que estava semeadas mais longe da casa.


Cogimos los que probablemente serán los últimos guisantes de esta temporada. Sobrevivimos al ataque del tejón que aun así se comió algunos que estaban sembrados un poco más lejos de la casa.




Já estamos a apanhar regularmente courgettes.


Ya estamos cogiendo regularmente calabacines.




E os alperces...os alperces são uma das frutas que mais gosto e que tinha deixado de comprar nos últimos anos porque costumavam ser verdes e pouco doces. Finalmente este ano voltei a comer (muitos) alperces. Uma boa parte da produção deste ano já foi transformada em doce.


Y los albaricoques... los albaricoques son una de mis frutas preferidas que había dejado de comprar porque solían ser verdes y poco dulces. Por fin este año volví a comer (muchos) albaricoques. Una buena parte de la producción de este año ya la transformamos en mermelada.




E esta semana começamos a apanhar as primeiras ameixas. Estas são vermelhas mas há também das brancas. Dizem que nunca comeremos tanta fruta como quando somos bebés. Eu, que não era grande consumidora de fruta, nunca comi tanta como agora.




Y esta semana empezamos a coger también ciruelas. Estas son las rojas pero las hay también blancas. Dicen que no comeremos nunca tanta fruta como cuando somos bebes. Yo que no era grande consumidora de fruta nunca comí tanta como ahora.