Um mau dia

Foi um sábado de mercado para esquecer. Sabíamos que iria chover mas não imaginávamos que o temporal fosse tão grande. A partir das 11.00 h a situação foi de grande desespero não só para mim mas também para o resto dos colegas. Terminamos todos agarrados aos chapéus e no meu caso a um toldo que passados alguns minutos levantou vôo. Molhada dos pés à cabeça lá consegui com a ajuda dos colegas, retirar o pano e finalmente dobrar a estrutura. E a chuva que teimava em cair. E o vento forte que instaurou o caos. Como pudemos, lá recolhemos caixas e iniciamos a viagem para casa.






E ao chegar a casa, mais caos... O alpendre levantado. A horta feita num oito. Todas as estruturas de canas das tomateiras e do feijão, derrubadas. As couves meio tombadas. O telhado do galinheiro levantado. As galinhas assustadas.




Dirijo-me ao galinheiro e ao chegar noto algo estranho na paisagem, como se faltasse algo. Desço um pouco mais e não podia acreditar. Uma figueira enorme de figos pretos, a única desta variedade que tínhamos, tinha desaparecido. Aproximo-me mais e vejo que partiu e a copa voou até ao socalco seguinte ficando entalada entre o muro e um damasqueiro. Quis chorar e não consegui. Naquele momento tudo me pareceu uma grande injustiça.




E já para terminar o dia, o Alex dirigiu-se ao quartinho onde tínhamos levado as galinhas até arranjar-lhes o galinheiro e empurrou a porta. Atacou uma galinha, e para cumulo das desgraças, a única que de momento nos dá ovos.






Nesse dia decidimos que o melhor era ir dormir cedo. A cama e o sono costumam ser boas terapias para enfrentar as situações adversas. E assim foi.




No dia seguinte levantamo-nos. Voltamos a tratar da galinha atacada que aparentemente está bem. À tarde voltou a pôr um ovo. Arranjamos o telhado do galinheiro e voltamos a instalar as galinhas. Endireitamos as canas das tomateiras. Fomos ver a figueira e tentando ver o lado positivo da situação assumimos que até nem estava em muito bom sitio e incomodava um pouco a passagem do trator. À tarde comecei a mudar todas as etiquetas dos frascos de doce que ficaram estragadas com a chuva.

No dia do temporal a figueira partiu-se. Assim me senti eu nesse dia. Mas sei que essa figueira vai renascer outra vez e assim somos nós também. Não há outra maneira senão seguir para a frente.



Un mal día

Fue un sábado de mercado para olvidarnos. Sabíamos que iba a llover pero no imaginábamos que la tormenta iba a ser tan fuerte. A partir de las 11.00 h la situación fue de gran desesperación, no sólo para mí pero también para los demás compañeros. Terminamos todos agarrados a los para-soles y en mi caso al toldo que pasados algunos minutos levantó vuelo. Mojada de los pies a la cabeza, con la ayuda de los compañeros hemos logrado quitar la cubierta y por fin cerrar la estructura. Y la lluvia que no paraba de caer. Y el fuerte viento que instauró el caos. Como pudimos, recogimos las cajas y iniciamos el viaje hacia casa.

Y al llegar a casa más caos... La pérgola levantada. El huerto destrozado. Todas las estructuras de cañas para los tomates y judía, derribadas. Las coles medio tumbadas. El tejado del gallinero levantado. Las gallinas asustadas.

Voy hacia el gallinero y al llegar noto algo raro en el paisaje como se faltara algo. Bajo un poco más y no me podía creer. Una higuera enorme de higos negros, la única de esta variedad, había desaparecido. Me acerco más y veo que se ha roto y la copa había volado hasta la siguiente terraza y se quedó atrapada entre un muro y otro árbol. Quise llorar pero no me salían las lagrimas. En aquel momento todo me pareció una gran injusticia.

Y para terminar el día, Alex fue hasta el cuartito donde habíamos llevado las gallinas hasta que arregláramos el gallinero, y empuró la puerta. Atacó a una gallina, y para colmo de las desgracias, la única que de momento nos da huevos.

Ese día decidimos que lo mejor seria irnos a la cama temprano. La cama y el sueño suelen ser buenas terapias para afrontar situaciones adversas. Y así fue.

Al día siguiente nos levantamos. Volvimos a curar la gallina atacada que a primera vista parece bien. Por la tarde ha puesto un huevo. Arreglamos el tejado del gallinero y volvimos a instalar las gallinas. Pusimos de pie las cañas de las tomateras. Fuimos a ver la higuera y intentando ver el lado positivo de las cosas, asumimos que tampoco estaba en muy buen sitio ya que molestaba un poco el paso del tractor. Por la tarde empecé a cambiar todas las etiquetas de las confituras que habían quedado dañadas con la lluvia.

El día de la tormenta el árbol se rompió. Así me sentí yo ese día. Pero sé que esa higuera volverá a brotar otra vez y así somos nosotros también. No hay otra manera sino seguir adelante.


4 comentários:

  1. Caramba, acabo de deixar um comentário num outro post e deparo-me com este...Não sei o que dizer... Tantas e tantas vezes ouvi testemunhos de agricultores que perdiam tudo de um dia para o outro e tinham de recomeçar do zero e eu tentava imaginar o sentimento... Inimaginável. Só sabe quem passa pela situação. E o mais próximo que tivemos, até agora, de ter de recomeçar, foi com os javalis, que voltaram a atacar depois da primeira vez. O temporal de sábado também se abateu por aqui de forma assustadora mas, incrivelmente, na nossa horta, só algumas couves foram derrubadas e a nossa estufa artesanal sofreu poucos danos. Se há algo de positivo no meio das perdas e recomeços é que ficamos sempre mais fortes! Se até a galinha mostrou ser uma guerreira valente! Desejo-vos muita sabedoria, força e esperança!

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    1. Nesse dia tudo nos pareceu horrivel, foram desmasiados acontecimentos concentrados e tudo é questionado. Agora felizmente, tirando a querida figueira, o resto mais ou menos conseguimos reparar. Continuamos a lutar, acho que estamos a ficar como eu sempre considerei as pessoas do campo: "rijos"! Obrigada pelas palavras de apoio!!!

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  2. Un contratiempo.
    Verás como todo vuelve a la normalidad.
    Un abrazo

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    1. No hay otra solución sino buscar esa normalidad y seguir adentante!! Un abrazo!!

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